Silêncio institucional: FICC segue sem responder ofícios do CMPCI


A política cultural de Itabuna enfrenta mais um episódio que reforça as preocupações já manifestadas pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais de Itabuna (CMPCI) e pelos diversos segmentos artísticos da cidade: a ausência de respostas oficiais da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) aos ofícios encaminhados pelo Setorial de Artes Cênicas.

Os documentos, enviados formalmente pelo Setorial no dia 07/05 e anteriormente pelo próprio Conselho Municipal, tratam de temas fundamentais para a organização, o planejamento e a transparência das políticas culturais do município. No entanto, até o momento, não houve retorno efetivo por parte da gestão cultural municipal.

Entre as solicitações encaminhadas estão:

  • Solicitação de posicionamento oficial sobre o GT do Plano de Ações Estratégicas para Cultura em Itabuna e do Plano de Ações Estratégicas para Cultura em Itabuna.
  • Solicitação oficial de informações atualizadas sobre a situação financeira, gestão e disponibilidade do Fundo Municipal de Cultura de Itabuna.
  • Solicitação oficial de espaço físico, equipamentos, estrutura administrativa e transparência sobre recursos destinados ao funcionamento do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Itabuna e seus setoriais.
  • Solicitação oficial de transparência sobre calendário de eventos culturais, execução orçamentária, participação institucional do CMPCI e planejamento efetivo das políticas culturais municipais.
  • Solicitação oficial de esclarecimentos sobre fechamento, reformas, prazos e reabertura de espaços públicos culturais do município de Itabuna.

As demandas não surgiram de forma isolada. Elas fazem parte de uma sequência de questionamentos que vêm sendo apresentados pelo Conselho ao longo dos últimos anos e que dialogam diretamente com problemas já amplamente debatidos pela sociedade cultural local.

Um histórico de cobranças sem respostas

A falta de retorno aos ofícios acontece em um contexto já marcado por questionamentos relacionados à execução das políticas culturais em Itabuna.

Recentemente, o próprio CMPCI denunciou a ausência de execução efetiva do Fundo Municipal de Cultura, apesar da existência da Lei Municipal nº 2.281/2014, que prevê a destinação de recursos específicos para o financiamento das ações culturais. (O texto completo publicado no blog no  11 de outubro de 2025: Descumprimento da lei do Fundo de Cultura e falta de política efetiva)

Também foram levantadas preocupações sobre a execução dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) ciclo 1 (texto completo publicado no blog dia 22 de junho de 2025Itabuna poderá não acessar os recursos do ciclo 2 da Lei Aldir Blanc em 2025 por má gestão da política cultural da FICC), a falta de um Plano Municipal de Cultura consolidado e a dificuldade de diálogo entre a gestão pública e CMPCI.

Nesse cenário, o não atendimento aos ofícios amplia a percepção de que questões essenciais para o desenvolvimento cultural da cidade continuam sem o devido tratamento institucional.

Transparência é obrigação.

Os ofícios encaminhados pelo Setorial de Artes Cênicas e pelo CMPCI representam interesses coletivos. Trata-se do exercício legítimo de atribuições previstas para o CMPCI, responsáveis por acompanhar, fiscalizar e contribuir para a formulação das políticas públicas de cultura.

A ausência de respostas compromete o acesso à informação, dificulta o acompanhamento das ações da gestão cultural e enfraquece mecanismos de controle social previstos tanto na legislação municipal quanto nos princípios do Sistema Nacional de Cultura.

Quando não há retorno oficial, artistas, produtores, grupos culturais e a própria população ficam sem informações básicas sobre investimentos, planejamento, funcionamento dos equipamentos culturais e execução das políticas públicas.

O que está sendo cobrado

As solicitações apresentadas pelo Setorial de Artes Cênicas e reiteradas pelo CMPCI buscam respostas objetivas sobre:

  • A situação do Plano de Ações Estratégicas para a Cultura;
  • O funcionamento efetivo do Fundo Municipal de Cultura;
  • As condições de trabalho e estrutura do CMPCI;
  • O planejamento cultural do município em parceria com CMPCI;
  • O futuro dos espaços culturais públicos atualmente fechados ou em reforma.
  • A construção e efetivação do Plano de Cultura de Itabuna.

São informações de interesse público, fundamentais para garantir transparência administrativa e participação democrática na construção das políticas culturais.

Cultura pública exige diálogo público

A construção de uma política cultural sólida depende da cooperação entre gestão pública e sociedade civil. Conselhos de cultura existem justamente para criar canais permanentes de diálogo, acompanhamento e fiscalização.

Ignorar ofícios, retardar respostas ou deixar questionamentos institucionais sem esclarecimento enfraquece esse processo e amplia a sensação de distanciamento entre a administração pública e os agentes culturais do município.

O Setorial de Artes Cênicas e o CMPCI continuam aguardando manifestações oficiais sobre os temas apresentados. Mais do que respostas protocolares, a comunidade cultural espera informações claras, compromissos concretos e uma postura compatível com os princípios da transparência e da gestão democrática.

A cultura de Itabuna precisa de planejamento, participação e respeito às instâncias de controle social. E isso começa pelo atendimento às solicitações formais feitas por aqueles que representam a sociedade civil organizada.

Segue abaixo os ofícios encaminhados:

Drive com os ofícios encaminhados.