A Residência A.GRU.PE.CÊ na ECOAR apresenta sua programação
para o mês de outubro, reunindo diferentes experiências de formação, pesquisa,
criação e diálogo no campo das artes e da cultura.
Ao longo do mês, a residência propõe encontros que
atravessam o corpo, a presença, o cinema, as políticas culturais e as relações
que constituem o mercado cultura. A programação cria possibilidades de encontro entre diferentes modos de perceber,
pensar e fazer arte.
- Presença: estar no corpo, estar no encontro
Abrindo a programação, no dia 03 de outubro, acontece o
Laboratório de Presença, com Cristiane Queiroz.
Pensar presença nas artes da cena é também pensar o que
acontece quando um corpo se coloca disponível para perceber, escutar e se
relacionar. A presença não se reduz à ideia de “estar em cena”: envolve
atenção, percepção, respiração, relação com o espaço e com outros corpos. É uma
experiência que pode deslocar o olhar sobre aquilo que fazemos e sobre a
maneira como habitamos o próprio corpo.
O laboratório propõe, assim, um espaço de investigação em
que a experiência corporal se torna também matéria de criação e percepção.
- Cinema como espaço de encontro e pensamento
No dia 05, o cinema entra em cena com um Cine Debate com
Zant, do Cineclube Paulo Freire.
Assistir a um filme coletivamente também pode ser uma forma
de produzir pensamento. A experiência cinematográfica não termina na tela: ela
continua nas perguntas, nas interpretações, nas memórias e nas diferentes
perspectivas que surgem quando uma obra é compartilhada.
O cine debate propõe justamente esse deslocamento: do
espectador individual para o encontro coletivo, fazendo do cinema um território
de diálogo, escuta e reflexão crítica sobre as imagens e sobre o mundo que elas
ajudam a construir.
- CPF da Cultura: quando política cultural também é estrutura
No dia 08, Hans Muller conduz o encontro “O que é o CPF da
Cultura?”, realizado de forma online.
Conselho, Plano e Fundo — o chamado CPF da Cultura — são
componentes fundamentais da estruturação dos sistemas de cultura. Esses
instrumentos estão relacionados à institucionalização das políticas culturais,
à participação social, ao planejamento e aos mecanismos de financiamento.
Mas compreender o CPF da Cultura é também perguntar como a
cultura é pensada, planejada, financiada e construída coletivamente nos
territórios. Quem participa das decisões? O que um plano de cultura transforma
na prática? Para que serve um fundo? Como o conselho pode exercer sua função de
participação e controle social?
O encontro parte dessas questões para aproximar a discussão
sobre políticas públicas do cotidiano de artistas, produtores, agentes
culturais e demais pessoas interessadas na construção da cultura.
- Vibração corporal: perceber o corpo para ampliar possibilidades
Nos dias 17 e 31, a Oficina de Vibração Corporal, com Elaine
Belavista, propõe outra entrada para a investigação do corpo.
O corpo não é apenas instrumento para realizar um movimento.
Ele percebe, produz sentidos, guarda experiências, responde ao ambiente e
estabelece relações. Nas práticas corporais e somáticas voltadas às artes da
cena, a percepção sensorial e a atenção ao movimento podem contribuir para
ampliar a consciência corporal e as possibilidades de presença.
A oficina cria, portanto, um espaço para experimentar o
corpo a partir de suas vibrações, sensações, ritmos e possibilidades de
movimento, colocando a experiência corporal no centro do processo.
- Ecossistemas do mercado cultural: compreender as relações que sustentam a cultura
Fechando a programação do mês, nos dias 19 e 26, Alice G.
Reguly conduz o encontro “Ecossistemas do mercado cultural”.
Falar em ecossistema cultural é reconhecer que a produção
artística não acontece de maneira isolada. Entre uma criação e sua chegada ao
público existem artistas, produtores, espaços culturais, instituições,
políticas públicas, financiadores, redes, circuitos de circulação, públicos e
diferentes formas de trabalho.
Pensar o mercado cultural a partir dessa perspectiva permite
olhar para além da obra pronta e perceber as relações que possibilitam — ou
dificultam — sua existência, circulação e continuidade. É também uma
oportunidade para discutir caminhos de atuação profissional, sustentabilidade e
inserção no campo cultural sem reduzir a arte apenas à lógica de mercado.
- Arte como espaço de presença, pensamento e transformação
A programação de outubro articula diferentes dimensões da
experiência artística: o corpo que percebe, a presença que acontece no
encontro, a imagem que provoca pensamento, a política que estrutura
possibilidades e as redes que sustentam a circulação da cultura.
Ao aproximar essas dimensões, a residência propõe pensar a
arte não apenas como resultado, mas como processo, relação e experiência. Um
espaço onde formação também pode ser criação, onde o corpo também produz
pensamento e onde discutir cultura significa olhar para as estruturas, os
territórios e as relações que tornam possível a existência da arte.
Mais do que reunir atividades, a programação abre espaço
para perguntas, práticas, encontros e experiências — porque pensar a arte
também é pensar como estamos presentes, como nos relacionamos, como construímos
cultura e quais mundos podemos criar a partir dela.
SERVIÇO — PROGRAMAÇÃO COMPLETA
Residência A.GRU.PE.CÊ no ECOAR — Programação de outubro
Av. Cinquentenário, 344, primeiro andar
03/10 — Sábado
9h às 12h
Laboratório de Presença
com Cristiane Queiroz
05/10 — Segunda-feira
17h às 19h20
Cine Debate
com Zant, do Cineclube Paulo Freire
08/10 — Quinta-feira
17h às 19h20
O que é o CPF da Cultura?
com Hans Muller
17 e 31/10 — Sábados
9h às 12h
Oficina de Vibração Corporal
com Elaine Belavista
19 e 26/10 — Segundas-feiras
17h às 19h20
Ecossistemas do mercado cultural
com Alice G. Reguly
Todas as atividades são gratuitas e abertas a todes.
Realização: A.GRU.PE.CÊ
Apoio: ECOAR – Espaço Colaborativo de Arte
