A curadoria do evento reuniu sete atrações que representam a diversidade musical do território, respeitando diferentes trajetórias, estilos e influências. Mesmo diante de limitações orçamentárias nesta primeira edição, o projeto reconhece a existência de muitos outros artistas igualmente potentes na região e se propõe a ampliar esse espaço nas próximas edições.
Entre os nomes que simbolizam a essência do Pérola Negra está a banda Bilão e os Burundangas, de Itacaré. Ainda pouco conhecida do grande público, a banda fará uma das primeiras apresentações oficiais em um palco em Itabuna, representando uma das propostas centrais do festival: abrir espaço para artistas talentosos que permanecem invisíveis fora dos circuitos tradicionais.
Cantor, compositor e um dos fundadores da comunidade Vila Camboinha, em Itacaré, Bilão carrega para o palco a simplicidade, o carisma e as vivências do cotidiano popular. O grupo traz uma sonoridade plural, misturando ritmos regionais, pop rock, reggae e MPB, em apresentações marcadas pela alegria e forte conexão com o público. Para Bilão, o momento é de crescimento: "Nosso trabalho é levar alegria pro público. A gente vem da luta, da roça, da batalha do dia a dia. Sou um homem negro, quilombola, que não teve muito estudo, mas que faz música pra animar o povo da nossa região. Subir nesse palco vai ser uma experiência muito bonita pra gente e estamos chegando com muita alegria e esperança”, finaliza.
Outro destaque é a banda Quizila, de Ilhéus, com trajetória consolidada ao longo de três décadas na música independente. Formada a partir da amizade entre Rogério Nascimento e Binho Ribeiro, a banda construiu um som autêntico que mistura reggae com as cores do cotidiano popular, acumulando participações em festivais relevantes e ao lado de grandes nomes da música nacional. "O Festival Pérola Negra é de extrema importância pra nossa região. Nós, artistas e produtores culturais da cena alternativa e independente, que muitas vezes não estamos nos grandes circuitos das nossas cidades, ganhamos esse grande palco do Adonias Filho nessa celebração que mostra a força e a diversidade da nossa música. É um festival feito com muito profissionalismo, cuidado na curadoria e ainda com esse viés beneficente. Um festival que veio pra ficar no calendário regional", destaca o vocalista Fabrício Vasconcelos.
Se por um lado o festival reconhece quem abriu caminhos, por outro também fortalece novas trajetórias. É o caso da Big Roots Band, formada em 2026 por músicos de Itabuna e Itacaré. O grupo nasceu de encontros informais entre amigos apaixonados por música e rapidamente evoluiu para um projeto autoral com base no reggae e influências do rock clássico. Para o vocalista Big Roots, participar do festival é a concretização de um sonho: "O Pérola Negra nos define por essa diversidade cultural e por valorizar artistas locais que ainda não são muito conhecidos. A gente chega com um repertório autoral e com expectativa de fazer uma troca de energia com o público, cheia de entusiasmo. Pra nossa família, é a realização de um sonho e uma honra dividir o palco com grandes nomes da música sul baiana."
A programação também destaca a força feminina na cena musical, com a presença da DJ Nahraujo, de Itabuna, responsável por abrir o festival. Produtora e pesquisadora musical, com trajetória que conecta música, ancestralidade e pesquisa acadêmica, ela já passou por festivais importantes e projetos ligados à arte contemporânea. Seu trabalho dialoga com a diáspora da música jamaicana e suas influências globais, trazendo um diferencial sonoro e conceitual ao evento. "Estou preparando um set muito conectado com a minha pesquisa sobre a diáspora afro-americana e com as brasilidades. Vou levar algumas pérolas da minha coleção de discos, muitos deles herdados do meu pai e da minha mãe. Também gosto de trazer muitas mulheres para o meu set. Vejo esse festival como um momento de mostrar meu trabalho e das pessoas conhecerem quem é Natália, produtora musical e pesquisadora", destaca.
Reforçando a presença feminina, a cantora Ize Duque, também de Itabuna, se destaca com sua identidade musical marcante e presença de palco potente. Sua trajetória dialoga com as influências da música negra brasileira e amplia as vozes femininas dentro do festival. Completam a programação Jamaica Roots (Itabuna), reforçando a tradição do reggae, e Javali Blues (Ilhéus), conectando a musicalidade negra a influências do blues. Cada artista que sobe ao palco carrega histórias atravessadas por desafios, persistência e a busca por espaço em um cenário ainda concentrado nos grandes centros.
O Festival Pérola Negra acontece no dia 16 de maio de 2026, na Concha do Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, a partir das 14h. Mais do que uma programação musical, o evento propõe uma experiência marcada pela valorização da cultura afro-brasileira, pela inclusão — com intérprete de libras para que pessoas surdas vivenciem o festival com mais autonomia —, pelo fortalecimento da economia criativa regional, em parceria com o CESOL – Centro Público de Economia Solidária, e pelo impacto social: a entrada é 1kg de alimento não perecível, destinado à Fundação Dr. Baldoíno Lopes de Azevedo. Os portões abrem às 13h, com encerramento previsto para as 22h.
O festival é realizado sob coordenação geral do gestor e produtor cultural, Cláudio Lyrio, e foi aprovado no Edital nº 004/2025 – Seleção de Projetos Artístico-Culturais e Festivais. Conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Lei nº 14.399/2022), por meio da Prefeitura Municipal de Itabuna, via FICC – Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, e do Ministério da Cultura, Governo Federal.
A 1ª edição do Pérola Negra nasce como um movimento de valorização cultural, dando visibilidade a artistas, histórias e expressões que ajudam a construir a identidade do Sul da Bahia. O público pode acompanhar tudo sobre o projeto no perfil oficial no Instagram: @festperolanegra.
ASCOM – Festival Pérola Negra
Evento: Festival Pérola Negra – Valorização da Diversidade Cultural no Sul da Bahia
Data: 16 de maio de 2026
Horário: 14h às 22h (portões abertos às 13h)
Local: Concha do Centro de Cultura Adonias Filho – Itabuna (BA)
Entrada: 1kg de alimento não perecível
Jornalista responsável: Karen Póvoas (DRT – 6121)

